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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

POR TI




Por ti, partiria sem rumo.
Por ti, daria as mãos.
Por ti, sofreria a doença.
Por ti, beijaria escaras.

Teus seriam meus momentos.
Teus são já meus pensamentos.
Teus estes olhos que choram.
Teus os lábios que te imploram.

Teu meu corpo, minha alma.
Tua minha ausência de calma.
Teu meu ardor, minha ferida.
Tua toda a minha vida.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O SILÊNCIO



Sinto o silêncio
Que corta uma voz
De lábios calados
Por olhos fechados
Em sonhos quebrados
De pesadelos surdos
Por risos bradados.

Vejo corações alados,
Amores acabados
Fados chorados
E um toque a finados.

Enriquecem os pobres
Plebeiam-se os nobres.
Galgue a doença,
Suba-se a tença!

Morram os vivos
Cale-se o vento.
Acabe-se o mundo
Recomece o tempo!

PALPITAÇÕES



Musgo de seixo errante
erva daninha e feia
que o prado viu nascer.

Trave de aço possante
palco de peça em estreia
que vibra sem parecer.

Arlequim saltitante
bobo da praça plebeia
que ao frio logrou fenecer.

Válvula mitral palpitante,
porta de coração de areia
que tanto bateu sem querer.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A BRECHA




Na parede frontal inferior
de um prédio sem história
abriu-se uma brecha.

Como se fosse preciso,
o bairro inteiro mudou de cor.
O alvoroço tomou conta das gentes:
da multidão nasceram enchentes
de carnes, em medo, a gritar.

E mesmo depois de tudo,
de o fim se anunciar,
depois das pessoas fugidas,
a parede ali ficou,
sem nunca desmoronar.
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