
Veio de noite, a luz do teu sorriso,
A lânguida claridade na ponta dos teus dedos,
O teu tão suave invadir dos meus segredos
E o resistir que nos abandona, sem ser preciso.
A manhã chega, no fim da tua mão
Que agarro mais forte porque sonho ainda,
Tão longe do farrapo que ainda ontem fui.
Permito-me uma lágrima que - desatenta - flui,
E sinto-lhe o açucarado sal de seiva insana, infinda,
Um sabor de quase gasolina que me inflama o coração.
Aqui pausado, contigo, estou enfim aberto ao mundo, em janelas
Por onde deixo entre-entrar a Paz, o amor, o compromisso.
Aqui pousado, contigo, fica no chão o meu viver esquisso,
Por cima do qual acordaremos para plantar a mudança,
Por sobre o qual acenderemos gestos de esperança…
Como se fossem velas!